terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Começamos do Zero ! (por JJ Marreiro)


Em outubro de 1996 um grupo de jovens artistas, desenhistas cheios de energia e cheios de imaginação se reuniram para lançar uma publicação que reunisse as coisas que eles achavam mais legais de produzir. Esta era a linha Editorial do Manicomics: publicar coisas legais. Algo que pudesse atingir público de várias idades e segmentos e que possibilitasse extravasar toda aquela energia criativa.

2016, 20 anos depois estreia esse blog reunindo capas, causos, fotos e reportagens relacionadas ao Manicomics. Uma publicação independente que marcou época e deixou saudade.

Nesta primeira postagem abordamos o número zero do Manicomics. A edição trazia Steel Man (aka Cronium) de Geraldo Borges; Zohrn (de JJ Marreiro); Apache (de Edicarlos); O Noide )de Daniel Brandão), uma HQ experimental de Eduardo Ferreira e JJ Marreiro; um pin up de Eduardo Ferreira e outra pin up por JJ Marreiro; um conto de Ficção Científica de Robson Loureiro.

As artes tipo mini-poster ou galeria tinham o curioso título de Desenho da Hora do Almoço, porque normalmente eram artes feitas no intervalo entre o almoço e o início do expediente. 

A capa totalmente em branco resolveu vários problemas, como por exemplo: "quem desenharia a primeira capa do Manicomics?". Enquanto isso, era também uma piada com os quadrinhos mainstream e com o autor John Byrne (que usava muito bem o recurso dos quadrinhos vazios). Na época saiu o evento Zero Hora da DC Comics, onde uma das capas era também toda em branco. Curiosamente a capa não atrapalhou a vendagem nem pelo correio (onde não se podia ver o miolo da edição e tudo que se tinha para estimular o interesse do leitor era a capa).



O número zero teve uma das maiores tiragens do Manicomics graças ao apoio de alguns amigos e a princípio foi distribuído gratuitamente num evento no SESC-Centro (Fortaleza-CE). Ao final do evento algumas pessoas jogaram os exemplares no lixo. Foi muito frustrante, mas com essa lição aprendemos que qualquer coisa que dê trabalho de fazer não deve ser distribuída gratuitamente. Dali em diante cobraríamos um valor mínimo (Um Real) por exemplar, desse modo se a pessoa jogasse no lixo estaria jogando dinheiro fora.

Daniel, Geraldo e eu conhecemos Al Rio e Mino nesse período e ambos, além do nosso Professor Geraldo Jesuíno criador da Oficina de Quadrinhos da UFC foram apoios importantes na nossa loucura de fazer quadrinhos.


EXPEDIENTE:
Manicomics Nº 0 (sob os efeitos da Zero Hora) Outubro/1996.
Editor: Daniel Brandão - Redatores: Daniel Brandão, Eduardo Ferreira, Geraldo Borges, JJ Marreiro, Robson Loureiro - Gerente Comercial: Robson Loureiro - Roteiristas: Asteca, Daniel Brandão, Edicarlos, Eduardo Ferreira, Geraldo Borges, JJ Marreiro, Layros, Paula Patrícia, Sérgio Otomo, Wellington Wagner - Artistas: Daniel BRandão, Edicarlos, Eduardo Ferreira, Geraldo Borges, JJ Marreiro, Layros, Sérgio Otomo - Letras: JJ Marreiro, Geraldo Borges e Eduardo Ferreira. Capa: John Byrne - Lay-out: Daniel Brandão e JJ Marreiro

MAIS:
Loucos por Quadrinhos - A história do Manicomics Capítulo 01
Loucos por Quadrinhos - Capítulo 02
Fanzines de Banda Desenhada: MANICOMICS
O Manicomics chega ao Fim - Ideias de Jeca Tatu (Gian Danton)
O Manicomics chega ao fim  - HQ Maniacs

3 comentários:

  1. Nessa época eu frequentava a oficina de quadrinhos. Muito bom saber que esse momento ficou na história.-

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